• Dra. Camila Couto e Cruz

Morando no exterior: “Já faz muito tempo que estou aqui e ainda não falo como gostaria” 


Muitas pessoas vão morar no exterior com o conhecimento básico do idioma falado no país em que escolheram viver, a maioria possui somente a compreensão do que foi lhe ensinado na escola tradicional.


Outras até chegam a fazer cursos específicos para aprender a língua. Mas, a realidade é que quando essas pessoas chegam no destino, muitas vezes se deparam com grandes dificuldades para se comunicar.


Aqueles que só tinham o conhecimento adquirido na escola se veem numa situação muito difícil, pois muitas vezes não conseguem nem mesmo entender as placas ou pedir uma informação.


As pessoas que tiveram a oportunidade de fazer cursinhos específicos para a língua ou estudaram com professores particulares acabam tendo um pouco mais de facilidade e conseguem se virar melhor para fazer as coisas básicas do dia a dia, como ler uma placa, pegar um ônibus ou pedir uma comida.


Mas, enfrentam aperto na hora de entender a língua falada pelos nativos daquele país. Obstáculos enfrentados por conta da pronúncia e do vocabulário escasso, acabam deixando as pessoas desapontadas.


No início, é como se aquele sonho de vida perfeita no exterior, tão grande e desejado por aquela pessoa, fosse suficiente para enfrentar e superar todas as dificuldades. Porém, à medida que o tempo vai passando e as dificuldades não vão se resolvendo facilmente, as pessoas tendem a se sentir frustradas e desmotivadas.


Com o tempo as pessoas vão se desenvolvendo e conseguindo resolver questões cotidianas até mesmo por ter que enfrentar as mesmas situações repetidas vezes, no supermercado, no ônibus, na escola. Mas, quando se trata de questões mais sérias ou diferentes, com palavras que não estão tão presentes no seu dia a dia, as dificuldades voltam a aparecer.


Assim, muitos brasileiros que decidiram morar no exterior tem uma dificuldade enorme de fazer coisas simples, como resolver algum problema relacionado a conta bancária, conta de energia ou internet pelo telefone, por exemplo, por não compreenderem o que está sendo dito pelo interlocutor.


Até mesmo quando se trata de resolver situações pessoalmente, existem dificuldades. Ir ao médico explicar os problemas de saúde que estão vivenciando, ouvir a resposta daquele profissional e entender efetivamente o que ele está falando.


No âmbito profissional, a falta do idioma fluente e de alto nível deixa as pessoas fora do mercado de trabalho especializado, na área na qual elas possuem formação no Brasil ou até mesmo na área em que elas estão estudando fora do Brasil.


Isso porque para entrar nas Universidades ou em cursos de formação de nível técnico, o grau de exigência muitas vezes é menor que o exigido no mercado de trabalho, já que a concorrência é ampla e envolve competição com profissionais locais ou de outros países que possuem fluência naquela língua.


Então, aquela ideia de que vivendo em outro país por seis meses já é o suficiente para se tornar uma pessoa fluente no idioma local vai se mostrando um engano.

A verdade é que é muito comum encontrar pessoas, que mesmo depois de 5 a 10 anos morando no país, ainda não tem a fluência necessária para estar numa reunião de negócios, por exemplo, debatendo com outros profissionais da sua área.

Isso acontece, primeiro porque há uma dificuldade real para muitos de aprender a língua e, também porque algumas pessoas acabam ficando estacionadas naquele vocabulário básico que lhe permite fazer o necessário na rotina diária e se restringem a amizades apenas com outros brasileiros.

A amizade com outros brasileiros é muito positiva, pois somente um imigrante entende plenamente o que vive outro imigrante. Mas, para realmente compreender, adquirir fluência e desenvolver um idioma de alto nível, é preciso sair da zona de conforto e conviver com pessoas que são nativas daquele país e na língua local.

Essa percepção de que o tempo passou e a pessoa ainda não se expressa como ela gostaria, faz com que muitos entrem em um estado de isolamento, tanto do ponto de vista social, da interação, como também, do ponto de vista emocional.

As pessoas deixam de interagir com outras pessoas ficando mais caladas e quando interagem, procuram se expressar de forma mais simplória, que seja compatível com o vocabulário que elas possuem e com isso acabam não demonstrando profundamente o que elas sentem.

É importante buscar a motivação necessária para ir atrás do aprendizado da língua, mesmo depois de tantos anos e tantas tentativas frustradas. E, se desvincular daquela fantasia que o aprendizado da língua é fácil e natural para quem mora no exterior.

O isolamento social e emocional também pode trazer consequências negativas para a saúde mental e para o bem-estar do imigrante, sendo importante procurar o apoio de um profissional quando você perceber que esse isolamento está te afetando de maneira significativa.

O apoio psicológico pode ser o caminho para lhe ajudar a ressignificar essas frustrações do passado, assim como as expectativas que não foram atingidas até o momento, buscando caminhos mais alinhados com a realidade.


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Quem escreve:

Camila Couto e Cruz é psicóloga com formação em Gestalt-Terapia e doutorado em Psicologia Social pela University of Queensland; uma das 50 melhores universidades do mundo, de acordo com o QS World University Ranking. Camila trabalha com psicoterapia na modalidade online, atendendo brasileiros que vivem no exterior através de uma abordagem dinâmica, voltada para a auto-regulação e ajustamento criativo do indivíduo. Agende uma sessão informativa sobre a psicoterapia online, sem nenhum custo, clicando aqui.

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